domingo, 1 de novembro de 2009

Gabriel de Mariazinha

Uma menina, a Mariazinha, quase chegando à puberdade
Pensou: "Aiai, aquele menino ali, ele me olha tanto, parece que estou transvestida"
Mas não, não pensou em mais nada
Nem pensou em amá-lo
Isso, tadinha, nem passava por sua cabeça inocente de criança-moça.

O menino que a olhava, esse se chamava Gabriel, que, aliás, de anjo não tinha nada
Pensava todo dia: "Olha ego, se eu fisgo essa moça, ai, nem posso pensar..."
Ele tinha já seus 17, e sim, já pensava muito além do amor
Era alto, bonito e nem um pouco inocente

Ao passar de dias e noites, de um lado cheio de tesão, pensava ostentamente em sexo e prazer
De outro vasta imersão no mar de frutos que era a adolescência

Certo dia desses estava ela no sacolão
E o anjo Gabriel passava pela rua...
Não, não passava simplesmente na rua
Na verdade, a seguira até o sacolão
Já idealizara uma boa desculpa, e a esperava do lado de fora
Esperava ansioso, aguardava suas sacolas cheias de um leve peso
Pronto, aí está ela, pensou ele.

Foi dito e feito, esperou-a e ofereceu cavalheiramente sua ajuda
Ela, claro, a aceitou
Foi assim, fácil, fácil, que ele a conheceu

Ele a levou até sua casa, e foram conversando sobre tudo
Tudo nela o interessava
Ele, sem querer, descobriu que não era só tesão que o instigara
Ela, em sua essência, o fisgou surpreendentemente
Logo ela que parecia ser tão inocente e inexperiente

Como a paixão é imprevisível

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